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Quem aproveita a vida e cuida da saúde está sempre bonito, não importa a idade.

Mulher passando creme no rostoMarcas do tempo

A ciência ainda não é capaz de deter os efeitos do tempo. Já é possível suavizá-los ou disfarçá-los, mas, com o passar dos anos, fica difícil competir com a natureza. O jeito é parar de brigar, pois amadurecer faz parte da vida – por mais que seja complicado não se incomodar com as primeiras linhas de expressão.

“Ninguém espera feliz e ansiosa pelas rugas. Quando elas começam a aparecer, dá uma sensação de impotência, de descontrole em relação ao futuro”, avalia a psicóloga Cristina Godoy. “Talvez seja o maior símbolo do final da juventude”.

De fato, ainda hoje a maturidade nem sempre é associada à beleza e ao bem-estar. Mas quem sempre se cuidou, por dentro e por fora, é bonito e saudável em qualquer idade.

Questão de saúde

“De nada adianta uma aparência jovem se a pessoa não se aceita, não se valoriza, não se trata com carinho”, afirma a especialista.

Sentir-se bem – e não só diante do espelho - é fundamental. Quem está em paz consigo mesmo desenvolve menos doenças, depende menos de remédios, vive mais, com mais qualidade e aprende a enxergar o belo além dos padrões.

“O que vemos por aí é uma legião de mulheres que passam por procedimentos estéticos, mas continuam com a auto-estima cada vez mais em baixa”, constata Cristina. “Elas têm consciência de que só permanecem jovens porque gastam muito tempo e dinheiro tentando. Para piorar, o resultado, muitas vezes, é uma aparência pouco natural”.

No Brasil é mais difícil

Mas por que valorizamos tanto a juventude, a ponto de não percebermos a beleza que vem com a maturidade? Para a antropóloga Mirian Goldenberg, o problema é que continuamos inseridos em uma realidade que não permite que a mulher envelheça, especialmente no Brasil.

“Ser uma mulher mais velha no Brasil não é o mesmo que ser madura na Alemanha”, afirma a professora, em texto publicado no boletim da Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro). “As mulheres com mais de 50 anos na Alemanha têm escolhas. Elas não se preocupam em ter marido, consideram-se no auge da vida, contabilizam suas realizações e fazem projetos para o futuro”.

Na Europa, a estudiosa deparou-se com mulheres determinadas, cheias de auto-estima, que não se preocupam com detalhes como rugas e cabelos brancos. Essa marcada diferença a fez perceber com mais clareza o paradoxo que acompanha a brasileira. “A brasileira parece querer ser sexy até morrer, busca paralisar o corpo e o rosto nos 30 anos, mas também paralisa uma postura de ser mulher”, alerta.

Equilíbrio

Aceitar a inevitabilidade do envelhecimento e as marcas que surgem com o passar dos anos é a única forma de sobreviver a tanta pressão.

“Sentir-se velha e ultrapassada tem uma estreita relação com o quanto e como vivemos. Uma vida sem conquistas faz com que essa relação com o tempo seja extremamente delicada”, observa Cristina Godoy.

Antes de tudo, devemos cuidar da saúde física e mental e aproveitar toda a liberdade conquistada.

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